![]() Depressão e Stress de
Final de Ano Onete Ramos Santiago
![]() Tenho
ouvido o testemunho de muitas pessoas nesses dias que antecedem os
feriados de Natal e final de ano e, em muitas, percebo uma sensação
de: " tomara que acabe logo essa farra ".
Devo confessar que, pessoalmente, também sou tomada pela mesma vontade de término e, há muito tempo, tenho refletido sobre tudo isso. Primeiro, parece-me que as pessoas têm necessidade de disciplina, de regularidade de horários, de ordem. Nos feriadões, fica tudo solto - não há hora para a alimentação familiar, para acordar, para dormir, para trabalhar. Há uma perda do controle das coisas e isso nos ansia. Além da casa sem ordem, um vai e volta intensivo, há as despesas que aumentam, as festas aonde transita uma solidariedade efêmera e fugidia — um certo faz de conta — que também nos deprime e estressa. Acresça-se o calor, o trânsito infernal, supermercados cheios - meu Deus! Quantos motivos! - não sabia que a conta iria aumentando assim tão facilmente. O calor, por si mesmo, propicia um stress físico, numa tentativa do corpo em se proteger. Ficamos indolentes, preguiçosos e nosso corpo se recolhe para economizar energia e não gastar líquidos em excesso. Depois, vem umacerta depressão por nos vermos com privilégios que uma grande maioria não tem . São nossas culpas sociais porque, no fundo, nossa retentividade não nos permite dividir. Por outro lado, final de ano é fechamento, é época de balanço. Dá uma vontade de mudar nossas coisas que não estão funcionando, mudar o mundo injusto, mudar a nós mesmos e, logo em seguida, ante a impossibilidade pelos medos ou apatias que nos prendem, somos tomados pela depressão e pelo stress. ![]() Na realidade, isto acontece com pessoas que, no seu balanço de vida, estão com um saldo muito negativo. Pessoas que, deixam suas vidas ir passando, sem coragem para os atos, nela necessários. A vida é um processo dinâmico e todos os nossos projetos têm que ser aferidos no dia a dia, senão, no final de ano, não dá tempo mesmo e essas sensações sobrevêm. É preciso que vivamos sempre o nosso renascimento, a exemplo do Renascimento da história do mundo em que houve uma grande transformação em todos os valores - econômicos, políticos, sociais, morais, individuais. Esse renascimento, no nosso micro mundo, deve ser elaborado ao sabor do nosso insight e do nosso coração, sob pena de nos desestabilizarmos e cairmos em depressão.
Ademais, é nesta época também que nossos lutos, nossos entes queridos falecidos, nos chegam com mais pungência à memória - a saudade aperta e a depressão mais uma vez emerge. É natural! Chore, pense, reflita! Não se vincule ao discurso de Natal e final de ano como época só de felicidade. Respeite suas emoções. Não deixe de ser você mesmo(a). Vá e volte! Chore, ria, entre nos seus sentimentos de perda e de ganho. Harmonize-se!
A depressão passa.
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